Na cidade de Pelotas, localizada no Sul do Rio Grande do Sul, um agente penitenciário foi detido preventivamente após ser identificado como o responsável por facilitar a saída de um preso da PMEC (Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas). A prisão ocorreu na noite de terça-feira (30), atendendo a uma solicitação da Polícia Civil e com a anuência do MP-RS (Ministério Público do Rio Grande do Sul).
As investigações revelaram que Rudcrei da Costa Machado, o policial penal em questão, teria falsificado documentos, incluindo uma guia e um alvará de soltura, permitindo que Willian Ramos Silveira deixasse a penitenciária em 21 de maio. Willian, que possui 29 anos e é acusado de ter cometido 10 homicídios, cumpre pena por homicídio qualificado motivado por razões torpes e encontra-se foragido.
O detento ainda tem uma pena remanescente de sete meses e 34 dias. Para sua recaptura, a 1ª Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre já expediu um mandado de prisão.
Imagens captadas por câmeras de segurança mostram o momento em que o apenado foi retirado da cela, conduzido a uma sala onde recebeu os documentos falsificados e posteriormente levado por um agente até as saídas do presídio. Ambos os documentos passaram por duas verificações antes que ele fosse liberado.
A falta do detento foi percebida apenas em 1º de junho, durante uma reunião extraordinária na unidade prisional. Willian estava compartilhando a cela com mais oito indivíduos.
Fraude nos registros
Após a fuga, Rudcrei teria utilizado contas pertencentes a outros servidores para inserir informações irregulares no sistema de movimentação da penitenciária. Segundo os investigadores, ele se aproveitava de computadores que estavam desbloqueados e oferecia ajuda durante os horários de almoço dos colegas, garantindo acesso aos logins deles.
Além disso, houve manipulação nos registros físicos de entrada e saída. O intuito dessa ação era ocultar a diminuição do efetivo carcerário e simular movimentações internas para enganar as contagens diárias.
No pedido para a prisão preventiva, o promotor Pedro Henrique Lacerda Paoliello destacou que o policial tinha controle total sobre o registro e validação das saídas dos detentos.
A promotoria defendeu a necessidade da prisão para assegurar tanto a ordem pública quanto o andamento correto da investigação criminal. A manifestação enfatizou o risco de destruição de provas e possível interferência em testemunhas, além da possibilidade de ocultação ou mudança no patrimônio do servidor, dado o descompasso entre seus bens e renda declarada.
O policial penal enfrenta acusações por peculato, associação criminosa e falsificação de documentos públicos.
Experiência profissional do servidor
Rudcrei da Costa Machado é um servidor com mais de 15 anos dedicados à carreira pública. Durante sua trajetória profissional, ocupou cargos como diretor de Recursos Humanos e diretor-adjunto no DSEP (Departamento de Segurança e Execução Penal), responsável pela administração das unidades prisionais sob a antiga Susepe (Superintendência de Serviços Penitenciários).
No momento da detenção, ele atuava na penitenciária em Charqueadas e seu salário bruto mensal gira em torno de R$ 16,8 mil.
No dia seguinte à fuga do detento, Rudcrei solicitou transferência urgente para outra unidade prisional em Rio Grande. Esse pedido estava sendo avaliado quando ele foi afastado pela Corregedoria-Geral da Polícia Penal.
A defesa contesta as acusações
A defesa argumenta que não existem evidências concretas que comprovem a participação de Rudcrei na fuga. Os advogados afirmam que a decisão pela prisão preventiva se baseia apenas em suposições sem respaldo legal ou jurídico adequado.
A equipe jurídica também ressalta que o policial penal é um profissional experiente que sempre desempenhou suas funções com integridade, conquistou a confiança dos superiores e se mostrou disponível para prestar esclarecimentos às autoridades competentes.
Investigação em andamento pela Polícia Penal
A SSPS (Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo) confirmou oficialmente a fuga do apenado da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas através da atuação da Polícia Penal.
A secretaria informou que tanto a Corregedoria-Geral da Polícia Penal quanto a Polícia Civil estão investigando minuciosamente o caso. As forças policiais continuam mobilizadas na busca pela recaptura Willian Ramos Silveira. Confira abaixo a nota na íntegra.
A Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS), através da Polícia Penal, confirma que um apenado fugiu da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas.
Diante disso, todos os fatos relacionados ao incidente estão sendo rigorosamente investigados pela Corregedoria-Geral da Polícia Penal juntamente com a Polícia Civil.
As instituições trabalham juntas para esclarecer os eventos ocorridos, identificar possíveis responsabilidades e tomar as medidas administrativas e legais necessárias.
Simultaneamente às investigações, as forças policiais permanecem ativas nas operações para recapturar o fugitivo.
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