Na véspera de sua prisão, Daniel Vorcaro solicitou a um contato que tentasse persuadir uma pessoa identificada como “Andrei” a postergar uma ação que afetaria o Banco Master para a semana seguinte. A Polícia Federal (PF) sugere que, pelo contexto das comunicações, o nome pode se referir ao diretor-geral Andrei Rodrigues e relaciona o destinatário das mensagens a um número que está salvo no celular como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
Essas informações estão contidas na PET 16.662, um processo autônomo que está sendo analisado no Supremo Tribunal Federal (STF). Este novo processo foi aberto após o ministro André Mendonça determinar a retirada de documentos da PET 15.556. A PET 16.662 inclui um relatório elaborado pela PF com base na análise do celular de Vorcaro e outros documentos fornecidos pelos investigadores.
Na terça-feira (1º), o ministro Mendonça decidiu levantar o sigilo da PET 16.662 e encaminhou os detalhes à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Conforme informou a PF, a mensagem enviada por Vorcaro foi registrada às 16h57 do dia 16 de novembro de 2025. Ele argumentava que adiar a ação em uma semana, coincidindo com um feriado, poderia impedir a falência do banco e pediu ao seu interlocutor que tentasse convencer Andrei.
No dia seguinte, às 15h29, foi assinada a ordem de prisão preventiva contra Vorcaro. Ele enviou outra mensagem ao mesmo número às 17h26 perguntando: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Poucas horas depois, ele foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo (SP), onde se suspeita que ele tentaria deixar o país em um jatinho.
O relatório da PF traçou o envio dessa mensagem com base nos registros do iPhone apreendido de Vorcaro. Às 17h26min02s (horário de Brasília), houve uma captura de tela da nota e um arquivo PDF temporário foi criado com o mesmo conteúdo. O WhatsApp foi acessado três segundos depois, e a mensagem foi enviada ao número identificado às 17h26min12s.
Os investigadores observaram um padrão nas comunicações analisadas: abertura do aplicativo Notas, captura de tela, criação automática de um PDF temporário, acesso ao WhatsApp e envio ao contato. As últimas cinco notas examinadas também foram encontradas nas conversas do aplicativo, evidência utilizada pela PF para sustentar sua metodologia.
Em outro registro datado de 30 de outubro, Vorcaro menciona indivíduos chamados “Andrei” e “Paulo”, referindo-se a pressões exercidas pela PF e pelo Ministério Público sobre o Banco Central. A PF acredita que esses nomes podem se referir a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet, procurador-geral da República. O relatório aponta que não havia contatos salvos no aparelho sob os nomes Andrei ou Gonet.
A investigação faz parte da IPJ-A nº 3298613/2026, elaborada em 27 de agosto por solicitação do ministro André Mendonça do STF. Este documento examina as informações contidas no celular confiscado durante a Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025 para investigar fraudes ligadas à transferência de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB, totalizando cerca de R$ 12 bilhões.
Em março deste ano, Alexandre de Moraes negou ter recebido mensagens atribuindo alguma comunicação a ele. Até a publicação desta matéria, os ministros Andrei Rodrigues e Paulo Gonet ainda não haviam comentado sobre o recente relatório da PF.
