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  Economia  Inovação do Pix coloca em xeque a supervisão financeira dos EUA sobre o Brasil
Economia

Inovação do Pix coloca em xeque a supervisão financeira dos EUA sobre o Brasil

Porto Alegre HojePorto Alegre Hoje—julho 22, 20260
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O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, conhecido como Pix, tornou-se um foco de preocupação para o governo dos Estados Unidos (EUA). Essa atenção se deve, entre outras razões, à sua capacidade de desafiar a influência financeira de Washington sobre a infraestrutura de pagamentos eletrônicos no Brasil. A análise é respaldada por especialistas em economia e relações internacionais consultados.

Segundo o governo de Donald Trump, a inclusão do Pix nas justificativas para a nova tarifa de 25% está mais relacionada a questões geopolíticas do que a motivos econômicos estritamente ligados à concorrência com empresas americanas como Visa e MasterCard ou até mesmo o WhatsApp Pay.

Maicon Cláudio da Silva, professor de economia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), enfatiza que o ataque direcionado ao Pix reflete uma perda de controle dos EUA sobre o sistema financeiro brasileiro.

“Essas ações demonstram que os EUA buscam preservar seu domínio sobre o sistema financeiro global. A China, por exemplo, não depende das redes Visa e Mastercard, possuindo sistemas próprios que garantem maior soberania e autonomia”, destacou.

O professor também observou queo Pix tem contribuído para aumentar a inclusão financeira da população brasileira, beneficiando também empresas americanas.

“Transações que antes eram realizadas apenas em dinheiro agora são feitas por meio do sistema financeiro com o Pix. Isso facilita o acesso das pessoas a contas bancárias e, possivelmente, a cartões de crédito”, acrescentou.

Em 2025, os cartões movimentaram R$ 4,5 trilhões devido à expansão do Pix, representando um crescimento significativo de 10,1%, conforme dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

Impactos econômicos imediatos

Dado que os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil, as novas tarifas tendem a afetar mais negativamente as empresas americanas, conforme apontou o docente da UFRRJ. Nesse cenário, os interesses econômicos imediatos ficam em segundo plano.

“A curto prazo, essas tarifas têm um impacto maior nos EUA. Portanto, essa estratégia econômica internacional visa exercer controle através de sanções e tarifas para forçar os países a se submeterem aos interesses americanos”, concluiu.

Pix como uma ferramenta de poder

Ronaldo Carmona, professor de geopolítica na Escola Superior de Guerra (ESG), destacou que o Pix se transformou em um instrumento estratégico para aumentar a soberania econômica do Brasil.

“Ao fortalecer sua autonomia e soberania nacional, o Brasil estimula o comércio exterior bilateral utilizando moedas locais, evitando assim a influência do dólar sobre suas transações”, comentou.

Carmona também mencionou que o Banco Central mantém acordos técnicos com 47 países para implementar sistemas semelhantes ao Pix em suas economias. Isso poderia enfraquecer ainda mais o controle americano sobre transações financeiras globais.

Pix reduz a eficácia das sanções

Sistemas nacionais de pagamento como o Pix dificultam a aplicação das sanções econômicas dos EUA contra indivíduos e instituições, “diferentemente dos sistemas norte-americanos”, esclareceu Ronaldo Carmona.

Isto se deve ao fato de que os sistemas financeiros baseados nos EUA geralmente seguem rigorosamente as sanções impostas pela administração americana.

Maicon Cláudio da Silva citou exemplos como as sanções contra Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) e as restrições à Cuba como métodos pelos quais Washington exerce poder sobre países soberanos através da imposição de bloqueios financeiros.

“O endurecimento das sanções dos EUA contra Cuba resultou na saída da Visa e Mastercard daquele mercado. Ao controlar os meios financeiros, os EUA podem aplicar sanções econômicas a qualquer país ou indivíduo sempre que desejarem”, explicou.

Busca europeia por autonomia financeira

A revista britânica The Economist, em artigo publicado pouco antes da imposição das novas tarifas ao Brasil, argumenta que iniciativas como o Pix ameaçam a “supremacia” financeira dos Estados Unidos.

A publicação observa que “o surgimento de sistemas ‘soberanos’, especialmente na Europa – um importante mercado para as operações da Visa e Mastercard – pode minar suas margens operacionais superiores a 50%”, afirmando que há uma crescente necessidade por alternativas locais.

A União Europeia recentemente anunciou planos para desenvolver um sistema eletrônico semelhante ao Pix chamado Euro Digital, previsto para iniciar testes em 2027 com acesso gratuito e público.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, expressou claramente que essa iniciativa visa reduzir a dependência em relação às redes estrangeiras.

“Atualmente dependemos principalmente das redes norte-americanas e às vezes das chinesas para gerenciar pagamentos. Precisamos ter uma solução europeia para garantir nossa soberania interna”, afirmou ao portal Euronews.

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