No primeiro trimestre de 2026, as exportações do Rio Grande do Sul sofreram uma diminuição de 7,5%, totalizando uma perda de US$ 357,4 milhões em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essas informações constam em um relatório elaborado pelo DEE (Departamento de Economia e Estatística), que faz parte da SPGG (Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão).
Segundo o estudo, a queda foi impulsionada por produtos significativos na balança comercial do estado. A soja em grão teve uma redução drástica de 77%, resultando em uma perda de US$ 188,3 milhões. O fumo não manufaturado também apresentou uma queda expressiva (-US$ 172,9 milhões), assim como a celulose (-US$ 68,1 milhões) e os polímeros de etileno (-US$ 45,5 milhões).
Dentre os maiores destinos das exportações gaúchas, a China foi responsável pela maior retração absoluta, com uma diminuição de US$ 301,6 milhões, influenciada pela queda nas vendas de soja e fumo. Os Estados Unidos também mostraram um recuo significativo (-US$ 148,7 milhões), principalmente devido à comercialização de produtos florestais e ao setor armamentista.
“O cenário das exportações no estado ocorre em meio a incertezas no comércio internacional. As transações com o Irã, que corresponderam a 1,8% do total das exportações gaúchas, apresentaram uma redução de 5,5% nos três primeiros meses de 2026. Historicamente, essa relação comercial é afetada por sanções econômicas e restrições financeiras”, declarou o governo estadual em um comunicado.
No caso dos Estados Unidos, a queda de 31,9% nas exportações superou a média geral das vendas externas do Rio Grande do Sul. “Esse resultado está relacionado a diversos fatores, incluindo o desempenho no setor armamentista, que é vulnerável a medidas tarifárias e alterações regulatórias”, afirma o comunicado.
Soja
A Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul) destacou em seu boletim de março que o desempenho da soja foi significativamente impactado pela baixa oferta disponível no início do mês. Isso ocorreu devido ao reduzido estoque remanescente deixado pela safra 2024/25, que foi fraca em função da estiagem. Além disso, até 26 de março, apenas 10% da área havia sido colhida da safra 2025/26.
A segunda previsão para essa nova safra indicava uma produção estimada em 19 milhões de toneladas, ou seja, uma redução de 11,3% em relação à projeção inicial devido aos efeitos adversos da estiagem e do estresse hídrico registrado no verão.
“A diminuição na produção reflete principalmente a severa limitação na oferta de soja em grãos durante março e uma nova safra que entrou lentamente no mercado; por outro lado, os derivados mostraram maior resistência relativa devido à valorização desses produtos e à diminuição dos custos com matéria-prima”, informou a Federação.
Outros pontos
No primeiro trimestre de 2026, as exportações totais do Rio Grande do Sul somaram US$ 4,4 bilhões. Em termos absolutos, este valor representa o quarto maior registrado desde o início da série histórica em 1997.
Os principais itens exportados durante esse período incluíram carnes e animais vivos. As vendas de carne suína aumentaram significativamente em 49,6%, resultando em um acréscimo de US$ 75,8 milhões. Também houve crescimento nas exportações de bovinos e bubalinos vivos (+US$ 57,2 milhões) e carne bovina (+US$ 33,7 milhões).
No total, o Rio Grande do Sul realizou exportações para 169 países no primeiro trimestre deste ano. A União Europeia representou cerca de 12,2% das vendas externas do estado, seguida pela China com 9,2% e pelos Estados Unidos com 7,3%.
Além disso, as exportações para o Egito (+US$ 105,1 milhões) e para as Filipinas (+US$ 104,5 milhões) tiveram destaque positivo impulsionadas principalmente por cereais e carnes.
