Representantes de órgãos públicos e do setor produtivo se reuniram para discutir o panorama da IAAP (Influenza Aviária de Alta Patogenicidade) no Brasil e no mundo. O foco do encontro foi nas ações realizadas no país.
O evento aconteceu em um momento em que o Rio Grande do Sul está adotando medidas de prevenção e vigilância ativa após a confirmação de um foco de H5N1 em aves silvestres na Reserva Ecológica do Taim, no final de fevereiro.
Cenário
Série histórica
Segundo informações do Mapa, no Hemisfério Norte existe uma sazonalidade na ocorrência da H5N1 de novembro a março, nos meses mais frios, enquanto no Hemisfério Sul não há um padrão tão claro devido à influência da migração das aves e às mudanças de temperatura.
“No Brasil ainda temos uma série histórica limitada, mas os casos têm se concentrado nos meses de abril a agosto”, afirmou a médica veterinária Daniela Pacheco Lacerda, do DSA/MAPA (Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura e Pecuária).
Complexidade epidemiológica
Daniela destacou que um dos maiores desafios na prevenção e controle da gripe aviária é a complexidade epidemiológica da doença. A quantidade de espécies afetadas, a interação com animais silvestres, diferentes vírus introduzidos por várias rotas e o potencial pandêmico da zoonose tornam o controle ainda mais desafiador.
Atuação integrada
Essa complexidade exige a integração de diversas competências em uma atuação interinstitucional coordenada. A interação entre Agricultura, Saúde e Meio Ambiente, juntamente com o setor privado, sob o conceito de Uma Só Saúde, tem sido fundamental para a detecção precoce da influenza aviária no Rio Grande do Sul.
Biosseguridade básica
O consultor técnico Paulo Raffi ressaltou a importância da biosseguridade nas granjas para evitar a entrada da gripe aviária na avicultura comercial. Ele apontou vários pontos críticos que devem ser considerados, como localização, controle de acesso de animais, controle de pessoas, manejo de resíduos, entre outros.
Raffi destacou a importância de investir em biosseguridade a curto e longo prazo, começando por medidas operacionais que podem evoluir para estruturais.
Rio Grande do Sul
De acordo com a Seapi (Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação), o Rio Grande do Sul iniciou a mobilização em 2023, o que permitiu a pronta identificação do primeiro foco em uma granja comercial em 2025. O foco da IAAP foi detectado na Reserva do Taim, em Santa Vitória do Palmar.
O Estado está realizando monitoramento de aves com barcos e drones, e também está fazendo varreduras em propriedades com aves em um raio de até 10 quilômetros do foco. Há previsão de inspeções em 93 propriedades com aves de subsistência na região.
A Seapi orienta que qualquer suspeita da doença seja comunicada imediatamente, e disponibiliza canais para notificação.
