A prévia da inflação de agosto registrou uma queda significativa, fechando em -0,40%, a menor taxa desde agosto do ano passado, quando alcançou -0,73%. Essa redução foi impulsionada pelo desconto do Bônus de Itaipu nas contas de energia e pela diminuição nos preços de alimentos. Na cidade de Porto Alegre, a inflação no mesmo período ficou em -0,62%, resultado da queda de 8,93% na tarifa da energia elétrica residencial.
Esses dados são parte do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que foi divulgado nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No mês anterior, o índice havia registrado uma variação positiva de 0,06%. Com o resultado apresentado para agosto, o IPCA-15 acumula um total de 4,24% nos últimos 12 meses.
Bônus na conta de luz
Entre os nove grupos analisados pelo IBGE, cinco mostraram deflação:
Alimentação e bebidas: -0,57% (impacto de -0,12 ponto percentual)
Habitação: -1,41% (-0,22 p.p.)
Artigos de residência: 0,04% (sem impacto)
Vestuário: -0,20% (-0,01 p.p.)
Transportes: -1% (-0,20 p.p.)
Saúde e cuidados pessoais: 0,40% (impacto de 0,05 p.p.)
Despesas pessoais: 0,66% (impacto de 0,07 p.p.)
Educação: 0,46% (impacto de 0,03 p.p.)
Comunicação: -0,02% (sem impacto)
A energia elétrica residencial teve um papel decisivo na redução da prévia da inflação ao apresentar uma queda de 6,25%, resultando em um impacto negativo de -0,26 ponto percentual. Esse efeito se deve ao Bônus de Itaipu que foi concedido aos consumidores nas contas de luz.
Alimentos
O grupo referente a alimentação e bebidas (-0,57%) foi fortemente influenciado pela queda nos preços dos itens consumidos em casa, que apresentaram uma diminuição média de 0,97%.
Confira os alimentos que tiveram as maiores reduções nos preços:
Tomate: -27,38%
Batata-inglesa: -25,14%
Cenoura: -17,05%
Café moído: -2,31%
Queda na gasolina
A deflação no setor de transportes foi majoritariamente impulsionada pela diminuição no preço das passagens aéreas que registraram uma queda de 13,30%. Os combustíveis também contribuíram para essa tendência com uma redução média de -1,43%, incluindo quedas no etanol (-3,63%), gasolina (-1,23%) e óleo diesel (-0,71%).
IPCA-15 e IPCA
O cálculo do IPCA-15 segue basicamente a mesma metodologia utilizada para o IPCA oficial. Este último serve como referência para a meta inflacionária do governo brasileira estabelecida em 3% ao ano com uma margem tolerável de variação de 1.5 pontos percentuais.
A principal diferença entre os dois índices é o período durante o qual os preços são coletados e a abrangência geográfica dos dados. O IPCA-15 é calculado e divulgado antes do término do mês correspondente. Para esta edição recente do índice foram considerados os preços coletados entre 16 de julho e 14 de agosto.
Tanto o IPCA quanto o IPCA-15 consideram uma cesta composta por produtos e serviços voltados para famílias com rendimentos variando entre um e 40 salários mínimos. Atualmente o salário mínimo está fixado em R$ 1.621.
O IPCA-15 analisa preços em um total de 367 produtos e serviços (10 a menos que o IPCA) em 11 locais diferentes do Brasil (incluindo as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre,Belo Horizonte ,Recife ,São Paulo ,Belém ,Fortaleza ,Salvador e Curitiba; além das cidades Brasília e Goiânia); enquanto o IPCA coleta dados em 16 localidades (abrangendo também Vitória ,Campo Grande ,Rio Branco ,São Luís e Aracaju).
O resultado final do IPCA referente ao mês de agosto será anunciado no dia 11 de setembro. O boletim Focus publicado na última segunda-feira (24) pelo Banco Central indica que as expectativas do mercado projetam uma inflação para agosto em torno de -0,18%.
