As negociações entre as representações do Irã e dos Estados Unidos, realizadas em Islamabad, Paquistão, não resultaram em um consenso após 21 horas de debates. O vice-presidente americano, JD Vance, deixou a reunião afirmando que os representantes iranianos decidiram “não aceitar nossas condições”.
“É imprescindível que recebamos um compromisso claro de que eles não desenvolverão armas nucleares e que não buscarão meios para acelerar esse processo. Esta é a principal meta do presidente dos EUA e o que tentamos alcançar nestas conversações”, declarou Vance à mídia antes de retornar a Washington.
Teerã defende seu direito de manter um programa nuclear com fins pacíficos e acusa os EUA de usarem essa questão como uma justificativa para promover uma “mudança de regime” no país. O governo iraniano sempre negou ter intenções de fabricar armas nucleares.
Mohammad-Bagher Ghalibaf, líder da delegação iraniana e presidente do Parlamento, destacou que havia disposição para dialogar, mas devido às experiências traumáticas resultantes das agressões anteriores dos EUA e de Israel contra o Irã, “não confiávamos na outra parte”.
“[Apresentamos] propostas encorajadoras, mas ao final, a outra parte não conseguiu ganhar a confiança da delegação iraniana nesta fase das discussões”, comentou Ghalibaf em uma plataforma social.
“Continuaremos nossos esforços incansavelmente para preservar as conquistas obtidas nos últimos 40 dias em defesa nacional”, acrescentou Ghalibaf.
Estreito de Ormuz
Após o fracasso das conversações iniciais, o presidente Donald Trump anunciou que, diante da recusa do Irã em abrir mão de suas “ambições nucleares”, a Marinha dos EUA tomaria medidas para bloquear o tráfego pelo Estreito de Ormuz.
“Instruí nossa Marinha a localizar e interceptar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago taxas ao Irã. Ninguém que pagar uma taxa ilegal terá segurança em alto-mar. Também iniciaremos a destruição das minas colocadas pelos iranianos no Estreito”, afirmou Trump.
Considerada a principal rota marítima do comércio global de petróleo, responsável por cerca de 20% do transporte mundial de óleo, o Estreito foi fechado pelo Irã como resposta às agressões sofridas por parte dos EUA e Israel no dia 28 de fevereiro.
Trump vinha ameaçando ações drásticas contra o Irã caso o país não garantisse a passagem livre pelo Estreito até que fosse anunciada uma trégua temporária de duas semanas em meio ao frágil cessar-fogo.
O novo líder supremo do Irã, aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, tem afirmado que as regras para gestão do Estreito de Ormuz sofrerão alterações e não voltarão ao estado anterior à guerra.
No encontro foram abordados temas como o Estreito de Ormuz, questões nucleares, indenizações relacionadas a guerras passadas, suspensão de sanções e o fim completo das hostilidades contra o Irã e na região, conforme revelou Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.
“Era natural que tais tópicos não pudessem ser resolvidos em quase 24 horas de negociações”, acrescentou Baqaei à agência estatal iraniana Irna. Segundo ele, as divergências persistiram principalmente em relação ao Estreito de Ormuz e outros assuntos regionais.
