A Petrobras anunciou a destituição de Claudio Romeo Schlosser do cargo de diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados. A decisão foi divulgada na noite da última segunda-feira (6), após uma reunião do Conselho de Administração da empresa estatal.
Schlosser era responsável pela divisão que, recentemente, conduziu o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP) no dia 31 de outubro. O evento resultou em um ágio superior a 100%, com o combustível sendo comercializado para distribuidoras por mais que o dobro do preço padrão.
Dois dias após o leilão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou descontentamento com a realização do certame, afirmando que ocorreu em desacordo com as diretrizes da companhia.
Lula descreveu o leilão como uma “cretinice, bandidagem” e expressou a intenção de anular a transação.
“As pessoas tinham conhecimento das orientações do governo e da Petrobras para não aumentar o GLP. No entanto, realizaram um leilão contrariando a vontade da direção da empresa”, afirmou ele durante entrevista à TV Record Bahia.
No mesmo dia em que Lula fez suas declarações, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) iniciou uma fiscalização nas refinarias da Petrobras para investigar “suspeitas de práticas relacionadas ao aumento excessivo dos preços” no leilão do gás de cozinha.
Aumento nos preços
Embora seja amplamente conhecido como gás de cozinha, o GLP também é utilizado como fonte de energia por diversos setores industriais.
O leilão ocorreu em um contexto de alta nos preços internacionais do petróleo e seus derivados, exacerbada pela guerra no Irã, que provocou distúrbios na cadeia produtiva dessa matéria-prima e gerou preocupações sobre possíveis escassezes.
Enquanto isso, o governo buscava alternativas para mitigar os impactos do aumento nos preços dos combustíveis. A demissão do diretor da Petrobras aconteceu simultaneamente ao anúncio pelo governo de medidas que incluem a isenção fiscal e subsídios para o diesel e o gás de cozinha.
Diretoria Comercial
A diretoria anteriormente liderada por Schlosser é uma das oito sob supervisão da presidente Magda Chambriard. Esta área é responsável por definir as condições e os destinatários das vendas dos produtos da Petrobras.
A Petrobras comunicou que Angélica Laureano, até então diretora executiva de Transição Energética e Sustentabilidade, assumirá a nova função na diretoria de Logística, Comercialização e Mercados.
Além disso, William França, diretor executivo de Processos Industriais e Produtos, irá acumular temporariamente as responsabilidades que pertenciam a Laureano.
Claudio Schlosser possui formação em engenharia química e direito. Ele ingressou na Petrobras em 1987 como engenheiro responsável pelo processamento de petróleo e ocupava sua posição atual desde março de 2023, durante a gestão anterior à presidente Chambriard, Jean Paul Prates.
Novo líder do conselho
A Petrobras também revelou na noite passada que Marcelo Weick Pogliese foi eleito presidente do Conselho de Administração até a próxima assembleia-geral programada para ocorrer dentro de dez dias.
Pogliese assume no lugar Bruno Moretti, que pediu renúncia na terça-feira (31) para assumir o Ministério do Planejamento e Orçamento em substituição a Simone Tebet, que deve concorrer ao Senado pelo estado paulista.
O Conselho é um órgão responsável pela orientação estratégica superior da Petrobras e conta com entre sete a 11 membros escolhidos pelos acionistas. A presidente Magda Chambriard é parte deste colegiado.
Nome indicado pelo governo
Como acionista controlador da empresa, o governo tem a prerrogativa de indicar o presidente do conselho. Na segunda-feira, a Petrobras anunciou ter recebido a indicação do atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Santos Mello, para ocupar essa posição.
No comunicado oficial à bolsa de valores, a estatal destacou que essa indicação “será analisada quanto aos requisitos legais relacionados à gestão e integridade”.
Mello é doutor em ciência econômica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e possui mestrado em economia política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), além das graduações em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e Ciências Econômicas (PUC-SP).
Atualmente é professor licenciado no Instituto de Economia da Unicamp (IE-Unicamp), onde coordena o programa de pós-graduação em desenvolvimento econômico. Além disso, Mello integra dois conselhos administrativos: preside o conselho do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e é membro do Conselho Administrativo da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA).
