Neste sábado (4), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, declarou que o país apresentou às autoridades norte-americanas que as razões apresentadas para a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros “não possuem legitimidade”.
A afirmação ocorreu após uma conversa com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, durante um encontro ministerial da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em Paris, na França.
Em entrevista à GloboNews, Vieira comentou que Greer mencionou ter tido “excelentes discussões com o Brasil” em relação às negociações sobre tarifas.
O chanceler brasileiro destacou que o Brasil forneceu todos os dados necessários para refutar as conclusões de duas investigações comerciais realizadas pelo governo dos EUA.
“Fornecemos todas as informações requeridas. Nossa expectativa é que esses dados sejam considerados e que se prove que não há justificativa para sermos alvo de tarifas, pois demonstramos que todos os argumentos apresentados não são válidos”, afirmou Vieira.
Ele também ressaltou que os resultados das investigações foram divulgados antes do prazo previamente acordado entre os presidentes dos dois países em uma reunião bilateral ocorrida em maio.
Tarifa de 25%
No início deste mês, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) divulgou um relatório recomendando a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
As alegações por parte dos EUA se baseiam em práticas do Brasil consideradas “irrazoáveis” ou “discriminatórias”.
A investigação contemplou diversos tópicos, incluindo comércio digital, serviços de pagamento eletrônico como o Pix, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e questões relacionadas ao desmatamento ilegal.
Outras reuniões
Além da reunião com Greer, Vieira também encontrou-se com Maros Sefcovic, comissário da União Europeia para Comércio e Segurança Econômica.
Durante essa conversa, abordaram a implementação do acordo Mercosul-União Europeia, que está em vigor desde maio.
O chanceler brasileiro teve ainda encontros com Yeo Han Koo, ministro do Comércio da Coreia do Sul; José Manuel Albares, chanceler espanhol; Maninder Sidhu, ministro canadense do Comércio Exterior; Guy Parmelin, presidente da Suíça; e Petr Macinka, chanceler da República Tcheca.
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