A 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, parte da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, lançou nesta quarta-feira (2) a Operação Falso 9, com o suporte das delegacias 126ª (Cabo Frio) e 143ª (Itaperuna), localizadas no estado do Rio de Janeiro. As investigações revelaram que perfis fraudulentos estavam sendo utilizados em aplicativos de mensagens para fingir ser profissionais do futebol e aplicar golpes em jogadores. Um dos casos que motivou a operação envolveu um perfil que utilizava a imagem do técnico do Grêmio, Luís Castro, para se passar por ele.
Na investigação, foram descobertos contatos com atletas e personalidades ligadas a clubes de diferentes estados, incluindo um jogador de uma equipe europeia e um artista brasileiro renomado. Além de jogadores do Grêmio, Andrés D’Alessandro, ídolo do Internacional, também foi abordado, mas não deu continuidade à conversa. A confirmação dessa informação ainda não foi verificada de forma independente.
Durante a operação, um mandado de prisão preventiva foi cumprido e dois mandados de busca e apreensão foram executados em Itaperuna, onde um suspeito é investigado por estelionato através de fraude eletrônica e uso de falsa identidade. Após os procedimentos legais necessários, o detido será transferido para o sistema prisional do estado fluminense.
A apuração em Porto Alegre está sob a responsabilidade do delegado Gabriel Lourenço, da 4ª DP. Esta unidade foi responsável por iniciar as investigações relacionadas ao esquema e solicitou as medidas judiciais que foram cumpridas nesta quarta-feira.
A Polícia Civil acredita que o número total de vítimas pode ser ainda maior e continua suas investigações para determinar se as abordagens realizadas resultaram em outros danos ou novas vítimas em diferentes estados.
Investigação
As investigações começaram após informações de que um homem havia contatado quatro jogadores profissionais via WhatsApp. Ele usava uma linha telefônica registrada em nome de outra pessoa e a foto do técnico Luis Castro.
Disfarçado como o treinador, o golpista instruiu os atletas a chegarem mais cedo ao centro de treinamento no dia seguinte “para uma conversa”, criando uma aproximação que parecia autêntica. De acordo com relatos, o zagueiro Walter Kannemann recebeu essa instrução, mas desconfiou da situação e percebeu que a mensagem não era realmente do técnico. Após isso, ele procurou a polícia para relatar o ocorrido.
Enamorado
O atacante colombiano José Enamorado teria sido a vítima que sofreu um prejuízo financeiro significativo no valor de R$ 22,5 mil. A Polícia Civil informou que o falso técnico manteve conversas durante vários dias com Enamorado, fazendo perguntas sobre sua rotina pessoal e desempenho nos treinos enquanto elogiava seu comprometimento. Em certa altura, ele pediu ao atleta para não comentar sobre esse contato com os outros jogadores — numa tentativa clara de isolá-lo e evitar que o golpe fosse descoberto.
Depois de estabelecer essa relação aparentemente confiável, o golpista fez um pedido financeiro: alegou estar ajudando há algum tempo uma instituição social no Rio de Janeiro por meio da entrega de cestas básicas — iniciativa que supostamente já teria contado com a participação de outros atletas anteriormente — e perguntou se o jogador estaria disposto a ajudar também.
Após receber uma resposta afirmativa da vítima, o falso técnico detalhou sua solicitação: 300 cestas básicas ao custo unitário de R$ 75 cada, totalizando R$ 22,5 mil. Ele enviou então uma chave Pix aleatória como se pertencente à responsável pela instituição e orientou Enamorado a realizar o pagamento.
A primeira tentativa de transferência falhou devido ao limite diário bancário da vítima; assim, o golpista reagendou o pagamento para o dia seguinte — mantendo mais uma vez o pedido por sigilo em relação aos demais atletas. No dia seguinte, em 7 de maio de 2026, a transferência foi realizada via Pix no valor integral de R$ 22,5 mil para uma conta ligada à estrutura investigada.
Após esse pagamento, o golpista enviou à vítima uma suposta confirmação sobre o recebimento das cestas pela instituição como maneira de concluir essa fase da fraude.
Ainda naquele mesmo dia, ele tentou aumentar seu ganho: informou ao jogador que outro atleta “fora do Brasil” também desejava contribuir — solicitando 600 cestas básicas equivalentes a R$ 50 mil — pedindo que Enamorado adiantasse esse valor com a promessa de reembolso posterior.
Para reforçar a legitimidade desse novo pedido e pressionar Enamorado ainda mais, ele mencionou colaborações anteriores feitas por outros atletas do elenco. Essa nova transferência não aconteceu devido ao limite diário bancário da vítima novamente ser ultrapassado.
Os outros três jogadores abordados pelo perfil falso não realizaram pagamentos conforme relatado pela Polícia Civil.
Mapeamento sistemático
O monitoramento revelou contatos do investigado com diversos jogadores destacados nacionalmente e internacionalmente ligados a clubes fora do estado além de um artista brasileiro famoso. Entre os alvos estão Léo Ortiz, zagueiro do Flamengo, e MC Hariel.
Em entrevista ao g1, o delegado Gabriel Lourenço afirmou que houve comunicação direta entre o investigado e esses indivíduos; felizmente a polícia conseguiu avisá-los antes que qualquer prejuízo financeiro ocorresse. Nesses casos específicos, ele teria usado outra identidade próxima aos alvos cuja identificação ainda não foi divulgada publicamente. A Polícia Civil continua suas investigações para verificar se outras abordagens resultaram em novos golpes.
Com base na troca de informações entre as Polícias Civis dos dois estados envolvidos na investigação foi possível descobrir que o suspeito já possui histórico relacionado ao futebol. Além disso, foi informado que ele havia sido preso em flagrante em 2024 por crime semelhante.
O nome Operação Falso 9 refere-se ao termo utilizado no futebol para descrever um jogador atuando fora da posição esperada em campo. A escolha deste nome está relacionada à falsa identidade usada pelo criminoso para ganhar a confiança das vítimas.
Orientações
“A Polícia Civil recomenda que qualquer solicitação recebida por aplicativos de mensagens envolvendo transferências financeiras deve ser confirmada através de outro meio antes da realização do pagamento — especialmente quando houver pedidos por sigilo ou justificativas urgentes”, alertou a corporação.
O post Polícias do RS e RJ prendem investigado por se passar por técnico do Grêmio apareceu primeiro em Agora RS.
