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  Política  Crescimento da desinformação sobre projeto de lei contra a misoginia é evidenciado em pesquisa nas redes sociais
Política

Crescimento da desinformação sobre projeto de lei contra a misoginia é evidenciado em pesquisa nas redes sociais

Porto Alegre HojePorto Alegre Hoje—maio 13, 20260
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O Projeto de Lei que trata da Misoginia tem sido alvo de uma intensa campanha de desinformação nas mídias sociais, orquestrada por políticos alinhados à direita, conforme análise realizada pelo Observatório Lupa. A investigação revelou a presença de narrativas enganosas, teorias conspiratórias e conteúdos gerados por inteligência artificial com o intuito de atacar o PL que foi aprovado pelo Senado em março deste ano.

Durante o período de 24 de março a 30 de abril de 2026, os pesquisadores registraram mais de 289 mil menções sobre o tema na plataforma X. Além disso, foram examinados 6,3 mil publicações no Facebook, 2,9 mil no Instagram e mil no Threads.

Com esses dados, o observatório conseguiu detectar “picos de desinformação, tendências narrativas e padrões comportamentais” nas redes sociais. O projeto em pauta no Congresso é o PL 896/2023, que caracteriza a misoginia como “uma atitude que manifesta ódio ou aversão às mulheres”.

Se a Câmara aprovar o texto sem modificações, ele passará a incluir a “condição de mulher” na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), estabelecendo penas que variam de dois a cinco anos de prisão, além da aplicação de multas, para condutas enquadradas como misóginas.

A Lupa aponta que o maior pico de engajamento da campanha desinformativa ocorreu em 25 de março, um dia após a aprovação do projeto no Senado, impulsionado pela divulgação de um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

O deputado fez uma associação entre o PL da Misoginia e trechos do PL 4224/2024, proposto pela senadora Ana Paula Lobato, que abordava a Política Nacional de Combate à Misoginia, mas não fazia parte do texto aprovado.

De acordo com as informações coletadas, essa publicação atingiu pelo menos 751 mil visualizações em apenas um dia. O vídeo foi posteriormente removido e republicado sem a parte referente ao outro projeto.

A pesquisa também indicou que uma das principais narrativas disseminadas nas redes afirmava que o projeto ameaçaria a liberdade de expressão e poderia ser usado para “perseguir a direita”.

Outra narrativa frequente apontava que questionar uma mulher sobre TPM poderia resultar em prisão.

“As postagens mais compartilhadas sobre o PL da Misoginia têm explorado principalmente o medo como forma de engajamento”, destaca o relatório.

 Os pesquisadores observaram ainda que informações falsas sugeriam que a proposta levaria a “demissões em massa” entre mulheres ou criminalizaria certos trechos da Bíblia. A pesquisa identificou também vídeos falsos gerados por inteligência artificial sobre supostas repercussões da proposta. Um exemplo mencionado inclui alegações de que empresários teriam começado demitir mulheres para evitar possíveis processos relacionados à nova legislação.

Dentre os principais responsáveis pela disseminação desses conteúdos estão Nikolas Ferreira, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o vereador Lucas Pavanato (PL), o comentarista político Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. O relatório observa ainda um aumento na utilização do termo relacionado à cultura misógina “redpill”, retratando a proposta como uma ameaça aos homens.

Menciona-se também ironicamente aplicativos de transporte em alguns posts, insinuando temor com relação a acusações falsas durante interações cotidianas.

Para os pesquisadores, as publicações ignoram um aspecto crucial do projeto: no contexto desta proposta, misoginia se refere a práticas discriminatórias que causam “constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida” devido ao gênero.

“Ao desconsiderar esse contexto, as postagens distorcem o debate e ampliam os níveis de desinformação”, conclui o estudo.

O post Desinformação sobre PL da Misoginia cresce nas redes, diz estudo apareceu primeiro em Agora RS.

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