Representantes de órgãos públicos e do setor produtivo se reuniram na terça-feira (17) em Montenegro, no Vale do Caí, para discutir a situação da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) no Brasil e no mundo. O foco do encontro foi nas ações realizadas no país.
O evento ocorreu em um momento em que o Rio Grande do Sul está adotando medidas de controle e vigilância ativa após a confirmação de um surto de H5N1 em aves silvestres na Reserva Ecológica do Taim, no final de fevereiro.
Cenário
Série histórica
De acordo com o Mapa, no Hemisfério Norte, a ocorrência da H5N1 é sazonal de novembro a março, nos meses mais frios. Já no Hemisfério Sul, não há um padrão claro, devido à migração das aves e às mudanças de temperatura.
“No Brasil, ainda temos uma série histórica limitada, mas os casos têm se concentrado nos meses de abril a agosto”, destacou a médica veterinária Daniela Pacheco Lacerda, do DSA/MAPA (Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura e Pecuária).
Complexidade epidemiológica
Daniela apontou que um dos grandes desafios na prevenção e controle da gripe aviária é a complexidade epidemiológica da doença. A interação com animais silvestres, diferentes cepas de vírus introduzidas por diversas rotas e a possibilidade de pandemia são fatores que tornam a doença tão complexa.
Atuação integrada
Essas características exigem a integração de diversas competências em ações interinstitucionais. A cooperação entre Agricultura, Saúde, Meio Ambiente e o setor privado, dentro do conceito de Uma Só Saúde, tem contribuído para detectar precocemente a influenza aviária no Rio Grande do Sul.
Biosseguridade básica
O consultor técnico Paulo Raffi destacou a importância da biosseguridade nas granjas para prevenir a entrada da gripe aviária na avicultura comercial.
Entre os pontos críticos, estão a localização da granja, controle de acesso de animais, controle de pessoas, trânsito de veículos, qualidade da ração e da água, entre outros.
Para o consultor, é fundamental considerar a biosseguridade a curto e longo prazo, com investimentos em medidas operacionais e estruturais.
Rio Grande do Sul
Segundo a Seapi, o RS iniciou as ações em 2023, o que reduziu o impacto do primeiro foco em granja comercial em 2025. O surto de IAAP foi detectado no final de fevereiro na Reserva do Taim, em Santa Vitória do Palmar.
O estado está realizando monitoramento de aves com barcos e drones, além de inspeções em propriedades próximas à reserva. Qualquer suspeita da doença deve ser comunicada imediatamente às autoridades.
As notificações podem ser feitas nas Inspetorias ou Escritórios de Defesa Agropecuária, pelo sistema e-Sisbravet ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.
