A previsão de chuvas constantes, influenciada pelo fenômeno El Niño, pode complicar o cultivo de soja, milho e arroz no Rio Grande do Sul para a safra 2026/27. As estimativas para os meses de outubro, novembro e dezembro indicam uma menor quantidade de dias propícios para o manejo das lavouras e a utilização de máquinas nas áreas agrícolas.
Um estudo realizado pelo Copaaergs (Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul) revela que os totais de precipitação podem ultrapassar em até 200 milímetros a média histórica para esse trimestre no estado.
A tendência é que as chuvas sejam mais frequentes e, em alguns momentos, intensas, especialmente nas regiões Norte e Oeste do RS. Também há chances de temporais, além de ventos fortes e granizo.
Para as culturas de soja e milho da primeira safra, a diminuição das oportunidades para trabalho em campo pode afetar a uniformidade na emergência das plantas, reduzindo o estande das lavouras, o que impacta negativamente o potencial produtivo dessas culturas.
Atenção à drenagem no cultivo do arroz
Em relação às áreas destinadas ao arroz irrigado, o relatório destaca desafios adicionais, sobretudo em regiões com drenagem inadequada.
A combinação de solos com baixa capacidade de drenagem e grandes volumes de chuva pode resultar em excesso hídrico, prejudicando tanto a emergência quanto o estabelecimento inicial das lavouras.
Para mitigar esses problemas, as orientações incluem aumentar a eficiência da drenagem nas áreas cultivadas com arroz, desobstruir drenos, bueiros e vertedouros e evitar locais com histórico de alagamentos sempre que possível.
No tocante às culturas da primavera e verão, recomenda-se acelerar o preparo do solo e a semeadura para tirar proveito das janelas disponíveis para plantio e aplicação de insumos.
O boletim também sugere escalonar os plantios e optar por cultivares com ciclos variados, além de monitorar as lavouras devido ao aumento do risco de doenças favorecidas pela umidade excessiva.
Embora enfrente desafios operacionais significativos, a frequência das chuvas pode beneficiar o desenvolvimento das culturas de verão e pastagens quando as condições do solo e nutrição forem adequadas.
