O Irã decidiu novamente fechar o Estreito de Ormuz e sinalizou a possibilidade de romper o cessar-fogo após os bombardeios israelenses direcionados ao Líbano ocorridos nesta quarta-feira (8). Essa nova ação intensifica a pressão sobre um acordo que já era considerado instável e traz à tona uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo e gás no mundo.
Relatos de veículos estatais iranianos indicam que Teerã pode retomar suas ofensivas caso Israel prossiga com os ataques. Além disso, o governo do Irã reiterou que qualquer cessar-fogo deve englobar todas as frentes de combate, incluindo o Líbano e a Faixa de Gaza.
Ebrahim Rezaei, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, utilizou uma rede social para defender a suspensão do cessar-fogo e a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz.
As Forças Armadas iranianas haviam declarado anteriormente que manteriam um controle “inteligente” sobre o Estreito. No entanto, a mídia estatal passou a noticiar o fechamento da passagem em resposta aos ataques israelenses no Líbano.
A reabertura do Estreito de Ormuz por um período de duas semanas era uma das condições atreladas ao cessar-fogo negociado entre Estados Unidos e Irã.
Israel realiza bombardeios em 100 alvos no Líbano
<pNo lado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu expressou apoio ao acordo entre Estados Unidos e Irã, mas deixou claro que o Líbano não estaria incluído no cessar-fogo. As Forças de Defesa de Israel informaram ter atacado 100 alvos em um intervalo de dez minutos nas regiões sul do Líbano e em Beirute.
Conforme dados preliminares do Ministério da Saúde libanês, os ataques realizados nesta quarta resultaram em dezenas de mortos e centenas de feridos.
Imagens de prédios devastados no centro de Beirute foram amplamente divulgadas pela imprensa local. O Hezbollah orientou os moradores que deixaram suas casas a não retornarem até que seja anunciada uma declaração oficial sobre o cessar-fogo no país.
Nawaf Salam, primeiro-ministro libanês, criticou severamente os bombardeios israelenses que atingiram áreas residenciais densamente povoadas.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador no cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, alertou que a violação do acordo compromete o progresso rumo à paz e fez um apelo para que todos respeitem a trégua temporária.
Até terça-feira (7), o Ministério da Saúde libanês estimava que a fase atual do conflito, que teve início em 2 de março, resultou em mais de 1.500 mortes e cerca de 4.800 feridos.
Além disso, 93 unidades de saúde foram alvo dos bombardeios, 57 profissionais da saúde perderam suas vidas e mais de um milhão de pessoas foram forçadas a deixar seus lares durante esse período.
A normalização do tráfego marítimo poderá levar tempo mesmo com o cessar-fogo
Ainda que o Estreito de Ormuz seja reaberto, especialistas consultados pela Associated Press acreditam que a normalização do fluxo petrolífero pode demorar. A avaliação sugere que armadores devem agir com cautela diante da possibilidade de novas escaladas militares e da ausência de garantias imediatas quanto à segurança das cargas e tripulações.
Essa análise indica que a plena retomada das operações pode levar meses, mantendo assim a pressão sobre os preços do petróleo enquanto o conflito permanecer sem uma solução estável.
