A PF (Polícia Federal) solicitou a suspeição do ministro Dias Toffoli na relatoria do inquérito que investiga o caso do Banco Master. O pedido foi encaminhado ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, que pediu uma manifestação do magistrado antes de tomar uma decisão.
A solicitação de suspeição surgiu depois que a PF identificou menções a Toffoli em conversas obtidas do celular do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e investigado no inquérito. O conteúdo do relatório está sob sigilo, mas alguns trechos foram divulgados pela imprensa.
Segundo informações vazadas, o relatório menciona um convite para uma festa de aniversário do ministro e conversas relacionadas ao resort Tayayá, no Paraná. Alguns desses diálogos envolvem o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro do empresário.
Negativa do ministro
Em nota, Toffoli afirmou que o pedido da PF é baseado em suposições e que a corporação não tem autoridade para solicitar a suspeição, uma vez que não é parte no processo. O ministro disse que irá fornecer esclarecimentos formais a Fachin.
O gabinete também esclareceu que o magistrado nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro ou de Fabiano Zettel. O comunicado também garante que Toffoli não tem uma relação de amizade com o empresário.
Empresa familiar e resort
A controvérsia envolve a empresa Maridt, uma sociedade anônima de capital fechado da qual Toffoli é acionista. Segundo o ministro, a gestão da empresa é feita por familiares, e sua participação se limita à condição de acionista, sem interferência administrativa.
Toffoli explicou que a Maridt detinha 33% do resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná. Essa participação foi vendida em duas etapas: parte para um fundo de investimentos em setembro de 2021 e o restante para uma holding em fevereiro de 2025.
O ministro justificou que todas as transações foram declaradas ao Fisco e realizadas com base nos valores de mercado. Ele também destacou que, de acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, juízes podem ser acionistas de empresas e receber dividendos, desde que não assumam funções de gestão.
Relatoria do caso Master
O inquérito sobre o Banco Master investiga possíveis fraudes financeiras, incluindo uma tentativa de venda da instituição ao BRB (Banco de Brasília), cujo maior acionista é o governo do Distrito Federal. Essa operação foi posteriormente vetada pelo Banco Central.
O caso foi levado ao STF após a defesa de Daniel Vorcaro argumentar que a investigação mencionava um deputado federal, o que atrairia a competência da Corte.
No entanto, Toffoli afirmou que não irá abrir mão da relatoria do caso. O pedido de suspeição está sendo analisado por Fachin, que decidirá se o ministro continuará responsável pelo inquérito.
Viagem particular gera questionamentos
O ministro começou a ser questionado após a revelação de uma viagem em jatinho particular na qual estava presente o advogado de um investigado. Houve também debate sobre decisões processuais que envolviam o envio de provas diretamente ao Supremo.
Paralelamente, um grupo de trabalho do Senado está acompanhando o caso e tentando obter esclarecimentos sobre a atuação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Segundo o senador Renan Calheiros, que lidera o grupo, a PF irá compartilhar informações da investigação. A comissão está buscando viabilizar o depoimento de Daniel Vorcaro após o Carnaval.
